Anderson R. Anchieta

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See, that’s what the app is perfect for.

Sounds perfect Wahhhh, I don’t wanna

Toque(-o)

Afastamento, distância, cada centímetro é um abismo, cada segundo uma eternidade. Juntos formam a infinidade do que poderia ter sido a proximidade.

Lágrimas, entre palavras, palavras, entre lágrimas. A impossibilidade de movimento só não é maior que a necessidade de ação. Aproximar é intrusão. Apartar é insensível. Fique.

Não, não chorar. Momento de disponibilidade. Guardar no peito, o pranto, o lamento, o riso e o canto.

Empatia.

Computador

Estou há uma hora chorando, tudo começou quando derrubei água no computador. Desliguei e fui comunicar à minha irmã, a quem pertence o PC. E nisso, do suspense da possível quebra do computador fui ao desespero de mais uma noite sem ter minha vó comigo.

Realmente, o luto não acaba, apenas se esconde na rotina, espera que o cotidiano ocupe um espaço na sua mente até que surge subitamente abalando as poucas estruturas ainda remanescentes.

Não há um dia sequer sem que minhas boas e más lembranças se façam presentes em mim. Por sorte tenho muitas mais felicidades a recordar.

Desta vez foi diferente, a culpa trazida por talvez estragar o objeto de principal distração para minha irmã veio antes do remorso angustiante de não ter dado mais de mim à minha vó.

Por mais que falem o quanto me doei, e eu também esteja ciente de quantas noites não dormi para ajudá-la, sempre me pego superanalisando os que eu poderia ter sido melhor.

Não consigo pensar em nada que me distraia da culpa que sinto, é uma batalha de pensamentos em que sou promotor e advogado, acusando e defendendo o réu do julgamento mais pesado que se pode ter: a consciência.

Cama, edredom e travesseiro molhados de lágrimas que não aliviam nenhuma ínfima parte da dor. Cada dia maior. Perco a respiração e não sei se quero voltar a ter ar em meus pulmões. A vida parece tão cruel agora.

Vou tentar melhorar, não por mim, mas por quem amo e a amavam. Ela merece que todos sejamos ou tentemos ser tão bons quanto ela. Queria ao menos que ela pudesse viver como sua mãezinha, que se foi aos 105 anos. Agora 76 parece-me tão prematuro…

Carta para Deliane

Olá, querida tia.

Resolvi escrever pois acho melhor assim. Escrevendo tenho tempo de pensar nas palavras que realmente exprimem o que intento.

Ainda não podemos estar presencialmente juntos. Sinto falta dos nossos abraços e estou ansioso pelo momento em que poderemos retomar esse tipo de afeto.

Sei que está sentindo emoções muito difíceis, dúvidas e questões extremamente sérias, e eu jamais poderia dizer que entendo o que está passando pela sua mente. Cada um de nós tem um universo próprio dentro de si.

Por isso, quando estamos juntos, gosto de conversar sobre tudo. Como sempre fizemos. Não para ignorar a situação, mas porque entendo ser melhor espairecer. Tentando tirar a angústia de seus pensamentos pelo máximo de tempo possível.

Já disse em outras vezes, e aproveito o enseja desta mensagem para dizer novamente. Sempre a admirei. Tê-la desde pequeno é um dos enormes privilégios que eu tenho. Sempre uma figura amorosa e que não cessa em agradar. Forte incentivadora do meu desenvolvimento, que com certeza foi impactado por sua dedicação em ensinar.

Logo, quando estivermos olhando para o agora já tendo superado tudo, ficarei feliz e realizado de saber que você conseguiu vencer mais uma das barreiras na sua história.

E então será isso, mais uma curva nessa eterna estrada sinuosa que nomeamos de vida. Lembre sempre que estou aqui. Estamos aqui por você(s).

Com todo amor, Junior.

Esperança

Seria tão bom ter a ingenuidade infantil de acreditar. Parece que ao crescer todas as boas percepções que temos se desfasem. Uma a uma.


Até mesmo a instituição “adulto”, tão monumental aos olhos de uma criança, torna-se frágil e instável.


Tudo que acreditamos um dia ser imutável mostra-se camaleônico. E o impulso da desesperança toma conta.


Porém… tende a passar. A gente aprende a seguir com a incerteza, reconhecendo a pequeneza de nossa existência.


Afinal, é isso. A vida é a coisa sem sentido com o objetivo de nos distrair tentando encontrá-lo.

Carga emocional

Imagina dividir com alguém todo o peso da sua existência
Imagina incumbir alguém de acabar com toda tristeza e carência
É muita maldade querer transferir ao outro a carga que você cria para si mesmo
Por isso eu calo
E na ausência da voz transmito um som mais alto do que os ouvidos humanos podem escutar
A minha frequência é para conseguir descarregar sem sobrecarregar terceiros

Assunto pessoal

Eu não sinto Nada Faço pouco de tudo Para não ser piada Mesmo que seja triste Mesmo que seja eu Rir de mim é melhor Meu interior não será alvo seu A graça suaviza a faca realidade Não me corta mas arranha Revela a idade Ferindo o meu fundo Digo “tudo bem” pro mundo Mesmo que seja triste Mesmo que seja eu Meu interior só é assunto meu.